<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268</id><updated>2011-12-14T09:41:48.416-08:00</updated><title type='text'>Dois Conto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-7505873180537329852</id><published>2009-03-22T11:05:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T11:06:31.536-07:00</updated><title type='text'>Yarbabov</title><content type='html'>Yarbabov foi um músico famoso em seus dias. Talentoso e virtuoso. Boa gente, amigável e cordial... mas acima de tudo, era músico. Se existe uma palavra que o podia definir e que ele estivesse de acordo, assim como seus mais íntimos amigos, era essa: músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas da época - e as de hoje - se perguntam porque Yarbabov parou de compor, tocar e cantar. Sim. Yarbabov um dia deixou de respirar música. Seu coração deixou de dançar ao som de sua própria música. Seus ouvidos ensurdeceram e sua voz emudeceu. A música... ah, a música!.. desvaneceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yarbabov sentiu o final da música e dançou-a até o fim: se apaixonou. Amou tanto Cristovna que a música, seu Eu interior, ficou com ciúmes e o deixou...&lt;br /&gt;Seu virtuosismo, dedicação e obsessão fizeram-no esquecer de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi necessário, dizem uns. Argumentam que Yarbabov ao mergulhar completamente no amor sacrificando a si mesmo, renasceria o maior genio musical. Não estavam errados, porém Yarbabov nunca renasceu. Yarbabov se perdeu. E seu último ato, perdido nesse labirinto, foi deixar um fio de Ariadne para o próximo que ousar: "Não mergulhes sozinho no vazio, traga consigo a si mesmo." O vazio, diz Yarbabov, era inicialmente o Amor que ele mergulhou. "Não há mergulho no Amor, você já está submerso Nele... Aproveite e cante e dance... Ame."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yarbabov deixou essas últimas palavras para o próximo. Nós todos. Você. Eu. A música nunca o abandonou. Mas uma canção certamente chegou ao seu fim, assim como o desvanecer de uma nota para dar vida à próxima... formando a música mais linda de todas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-7505873180537329852?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/7505873180537329852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=7505873180537329852' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/7505873180537329852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/7505873180537329852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2009/03/yarbabov.html' title='Yarbabov'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-4939970357577994039</id><published>2008-10-22T09:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T09:27:42.887-07:00</updated><title type='text'>O Lapso do Mômaro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as sinaleiras pararam para o maior espetáculo de todos os tempos. O artista, tão talhado, reluzia no centro dos holofotes. Navios voadores injetavam as luzes e, dos automóveis e janelas poluídas, a cidade espectava como platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era música? Poesia? Agradeceu sem ter idéia do que faria. Ah, tinha aquele ar de circo, isso tinha. Só pra reparar, olhou para os próprios pés e viu dois sapatões vermelhos de palhaço. Sim, uma pista. Tinha um lance de semáforos, flamingos, grandes cortinas, mendigos que se diziam demônios-azuis. Era isso? Uma faísca lhe passou latejando: estava curvado há mais de dez muitos, agradecendo a presença da platéia; mas assim que ficasse ereto teria de apresentar seu espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua casa apareceram três ratos há duas noites. O terceiro foi especialmente difícil de se eliminar: era uma graça, cativante com seu pelo e olhos espertos. Mas acabou por ter de ser exilado. Haveria mais ratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentração! Dezesseis minutos e uma platéia respeitosa. Esqueceu-se se havia enfeites e colorações no palco e se a trupe estava por perto. Aliás, apresentava-se sozinho ou em bando? Deveria ser sozinho. Um poeta viúvo. Pairava na rua um sossego incoerente e com a chegada do vigésimo minuto, resolveu entregar-se a qualquer coisa que lhe surgira nos últimos dois minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às três e cinqüenta de uma manhã de quinta-feira os postes da rua Augusta luziram mais um espetáculo. Após as primeiras sílabas rugidas pelo velho mômaro, houve vidro estilhaçado com aguardente e sangue na sarjeta. O crânio fendido deixava as idéias escorrerem e descerem pelo esgoto do meio-fio. Vinte minutos depois, houve aplausos e redenção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-4939970357577994039?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/4939970357577994039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=4939970357577994039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4939970357577994039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4939970357577994039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/10/o-lapso-do-mmaro.html' title='O Lapso do Mômaro'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-9024322951204551564</id><published>2008-10-11T17:10:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T18:27:15.051-07:00</updated><title type='text'>Crise</title><content type='html'>Alex cresceu. Tem seus 22 anos e meio, e anda bem feliz ultimamente... Nada saiu como previra... mas sim, como sentira. É um bom ouvinte de seus sentimentos e pensamentos. Sabe quando eles entram em contradição e sabe muito bem como lidar com isso. Tudo é muito bom. Tudo é muito claro. Claro, até ele conhecer María...&lt;br /&gt;Até esse ponto, Alex tinha tudo muito bem definido... muito bem planejado... mesmo entre o caos que era o seus planos, ele se sentia confortavel com esse caos... Um caos organizado. Como se o sistema maior de sua própria estrutura mental era um que continha e definia um sistema menor e que nesse sistema menor havia um caos instalado que destruiria esse sistema menor... transformando-o em outro sistema menor... porém dentro dos limites do sistema maior. Logo, tudo era bom. Tudo era gostoso. Tudo era uma felicidade estranha e alegre...&lt;br /&gt;Alex conheceu María.&lt;br /&gt;Em um acesso de uma estranha lucidez, dessas que as pessoas acham que é a verdadeira lucidez, Alex pensou que María se sentia atraida por ele por causa de sua felicidade, sua alegria, seu mundo unico de planos estranhos e sistemas caoticamente perfeitos. Ótimo, - disse Alex - assim me mantenho como sou e junto a isso terei uma companheira maravilhosa... Que vida perfeita.&lt;br /&gt;Pouco a pouco, como uma chuva que se aproxima solta suas gotas, Alex foi se desmoronando. Como havia ele de prever Ela? Seu caos se desfez, logo seu sistema menor se desfez, e logo seu sistema maior também. Tudo - sua alegria, felicidade, segurança, saudade, até sua tristeza e os momentos poucos alegres - tinham ido embora. Tudo era novo. Tudo era inseguro. Tudo desconhecido. Alex conheceu o Outro.&lt;br /&gt;Na sua estranha lucidez ele pensou que já conhecia o Eu, e agora estava conhecendo o Outro... mas ele teve um acesso feliz de verdadeira lucidez e pensou que, afinal, ele não sabia nada de nada. De ele mesmo, do outro, dos dois, tres ou tudo... Nada.&lt;br /&gt;Alex se sentiu como uma criança... nova, desconhecedora de tudo e pronto a desbravar o mundo... Mas Alex agora crescido sentiu um grande medo desse desconhecido. Da vida. Do Amor, talvez? Sim... Porque esse medo estranho? Ele também não sabia. Infernos. O desconhecido. A confusão. O medo. A vida! Tudo de novo! Mas agora com a consciencia de tudo! Que horrivel é a Vida! Cheia de dor e sofrimento. Medo, raiva e opressão... Horrivel? Porque é horrivel? É horrivel que uma menina seja estuprada aos 20 anos por um desconhecido com AIDS? Sim... É horrivel uma menina não ter com quem perder a virgindade porque o seu próprio pai a tirou quando tinha 5 anos? Sim... É horrivel um homem matar os seus tres filhos por uma loucura qualquer? Sim. A vida é feita disso? É. Ela é feita de mais coisas também... Boas e ruins. A conclusão era que a vida é a vida. Assim como Alex é Alex. Por culpa Dela é que ele se viu assim... Um homem. Como a vida, acima do bem e do mal. Horrivel ou maravilhosa? Natural, diria Alex. Cada um com a sua vida... não? Mas Ela também o fez ver o além... Sentir essa coisa indescritivel chamada Além. Além do que? Do conhecimento, é claro. Dos sentimentos, também? Porque não? O além está além. Depois. Depois do pensamento. Depois do sentimento. Depois de tudo. E o que vêm depois de tudo? A morte, óbvio... e como experimentar isso? Alex pensou que era algo a ver com o tempo... que já estamos conectados com tudo... ou seja, com a vida e com a morte. Nossa vida e nossa morte. Alex viu a sua morte... E sempre a sentiu... Sente ela agora mais do que nunca. E sente a morte dela também... E isso é o que mais lhe amedronta. Ele não quer ver ela ir. Nunca. Mas sentia que isso era exatamente o que ele precisava fazer... aceitar a morte. A dele e a dela. Que horrível é tudo isso... O filho de Deus na cruz... que horrível! Jesus! Me ensine algo!&lt;br /&gt;María o ensinou algo... A morrer e a deixá-la morrer também. Porque ela é Ela. É a portadora da vida. Do próximo. Do futuro, e eventualmente, do presente.&lt;br /&gt;Graças a Ela, os dois morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riam. Riam os cínicos: Eles se casaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Renasceram e Vivem... como Um.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-9024322951204551564?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/9024322951204551564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=9024322951204551564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/9024322951204551564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/9024322951204551564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/10/crise.html' title='Crise'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-4223758383525333933</id><published>2008-08-31T21:46:00.001-07:00</published><updated>2008-08-31T21:46:48.804-07:00</updated><title type='text'>O Fotógrafo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fotógrafo jovem se apaixonou pela imagem dos anciãos e só teve olhos para a velhice em sua vida artística. Enxergava a perfeição nas dobras das rugas irregulares, duras, enraizadas, tempestuosas e ao mesmo tempo estáticas, que se cortinavam na superfície da pele de senhores idosos e madames de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amou e apreciou isso com toda a intensidade, até que a velhice bateu em sua porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando envelheceu, tornou-se narcisista.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-4223758383525333933?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/4223758383525333933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=4223758383525333933' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4223758383525333933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4223758383525333933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/08/o-fotgrafo.html' title='O Fotógrafo'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-6679226252812006838</id><published>2008-08-16T15:28:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T16:48:28.389-07:00</updated><title type='text'>namorada virtual</title><content type='html'>Quarenta anos atrás tive uma namorada virtual.&lt;br /&gt;Nos escreviamos por internet.&lt;br /&gt;Nos viamos por camera..&lt;br /&gt;Nos falavamos por microfone...&lt;br /&gt;O quanto que eu queria sentir o cheiro dela...&lt;br /&gt;Só Deus sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adorava conversar com ela&lt;br /&gt;Ela era inteligente e charmosa com suas palavras&lt;br /&gt;Me deixava sem graça&lt;br /&gt;Me deixava no ponto certo&lt;br /&gt;Um ponto que só ela conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais alguém me fez sentir coisas como ela fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela parou de entrar na internet&lt;br /&gt;Parou de mandar e-mails&lt;br /&gt;Parou de entrar no msn.&lt;br /&gt;Nunca mais vi aquele quadrado com a cara dela sorrindo pra mim.&lt;br /&gt;Nunca mais escutei a voz dela pelas caixinhas do meu computador...&lt;br /&gt;Nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei bravo. Angustiado.&lt;br /&gt;Magoado.&lt;br /&gt;Mas passou...&lt;br /&gt;Nunca mais namorei ou conheci alguém pela internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta anos depois resolvi procurar ela...&lt;br /&gt;e quarenta anos atrás, ela morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-6679226252812006838?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/6679226252812006838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=6679226252812006838' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/6679226252812006838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/6679226252812006838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/08/namorada-virtual.html' title='namorada virtual'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-4928880968160180955</id><published>2008-06-22T08:53:00.001-07:00</published><updated>2008-06-22T08:54:12.522-07:00</updated><title type='text'>O Saco do Mago</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O saco tinha se esvaziado, mas ele tateava incansavelmente. A platéia entendendo como parte do espetáculo, mas ele desesperado no meio dos focos cegantes de luz. Atuava com a verdade do desespero. Tão verossímil.     &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Que faria ele? Haviam esvaziado o saco do pobre mago. Repente? Improviso? Era todo insegurança o coitado, e a platéia comprava o suposto suspense do ato. Nenhuma idéia lhe vinha na cabeça, não conseguia entrever nada. Resolveu jogar na mão do destino e do acaso. O improviso sem a mínima idéia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Meteu a mão mais o fundo que pôde e de lá tirou esse conto. A platéia não gostou muito não. Mas ele não perdeu audiência. Então tudo bem, ele continua com sua mágica.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-4928880968160180955?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/4928880968160180955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=4928880968160180955' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4928880968160180955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4928880968160180955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/06/o-saco-do-mago.html' title='O Saco do Mago'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-8082567464831478890</id><published>2008-05-13T17:38:00.000-07:00</published><updated>2008-05-14T17:55:13.640-07:00</updated><title type='text'>Irmão Pedro</title><content type='html'>Pedro era desses homens raros, de coração sensível, carinhoso, honesto, leal e amável.&lt;br /&gt;Um dia descobriu que não podia amar&lt;br /&gt;Sentia no seu coração que o amor, assim como a vida, é sofrimento.&lt;br /&gt;Não que achasse isso bom ou ruim...&lt;br /&gt;Sabia na sua alma que o sofrimento do homem é o que engendra toda essa loucura que é o nosso mundo.&lt;br /&gt;E que o seu coração não aguentaria tal golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não posso continuar&lt;br /&gt;pela falta de fé em minhas palavras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro também.&lt;br /&gt;Decidiu amar, sofrer e eventualmente morrer, para provar que eu estava errado...&lt;br /&gt;Ele amou, se entregou, e foi enganado.&lt;br /&gt;A dor, que era todo o seu coração, e frágil que era o seu coração, o levou a saltar do 5º andar.&lt;br /&gt;A dor, assim como a Luz de Deus para os nossos olhos, e assim como a Voz de Deus para os nossos ouvidos, era demais para o coração de Pedro.&lt;br /&gt;Mas, ele viveu.&lt;br /&gt;Em suas palavras, Amou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-8082567464831478890?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/8082567464831478890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=8082567464831478890' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8082567464831478890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8082567464831478890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/05/irmo-pedro.html' title='Irmão Pedro'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-3113515727946137370</id><published>2008-03-05T18:58:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T19:06:06.044-08:00</updated><title type='text'>Antes do Princípio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alende era um cara comum. Não no sentido ruim da palavra, ordinário. Mas também não era extravagante. Por isso o comum. O bom comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ele, as mulheres nunca amadureciam. Claro, havia uma curtíssima minoria que aprendia com os erros, pensava sobre a vida, se esforçava pra perder hábitos ruins, e por isso, tornava-se de certa forma, madura. Pra Alende, o amadurecimento tinha a ver com o controle emocional. Era de certa forma a consciência sobre si mesmo, como indivíduo e como pessoa social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha vinte e poucos anos e era inteligente. Não pensava em se casar tão cedo, e por muitas vezes cogitara jamais se casar. Viver uma vida só dele, sem dividir com ninguém. Sem gastar seus pensamentos, suas idéias, sua energia com nenhuma mulher. Além dos relacionamentos que tivera, Alende conhecera poucas mulheres realmente interessantes e, coincidência, todas tinham idade por volta dos trinta. Se descobriu um amante das balzaquianas, mesmo sabendo que isso provavelmente não duraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia estava saindo da editora em que trabalhava quando passou por um ateliê na avenida. O estabelecimento chamou sua atenção por ser grande e estar quase vazio. O que via ali era um imenso painel negro no chão, sendo pintado por uma moça de cabelos escuros. Alende não a via direito, mas percebeu que era bonita. No mais, havia uma escada suja de tinta, uns baldes metálicos, panos e toda sorte de pincéis. Resolveu, por nada, entrar. Depois de cumprimentar a pintora da obra de arte – via-se que era uma pintura artística – seguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- O painel tá muito bacana.&lt;br /&gt;- Obrigada. – e levantou, feminina e bela. Ele estava certo.&lt;br /&gt;- É pra uma exposição?&lt;br /&gt;- É sim, uma exposição lá no Centro Cultural. Coisa pequena.&lt;br /&gt;- Pequena? Olha o tamanho disso. – brincou. Ela riu. Ele continuou. – Bacana teu senso estético. Me lembra Magritte de certa maneira, mesmo que as formas estejam mais pra Miró.&lt;br /&gt;- Cê pinta também? – perguntou a artista.&lt;br /&gt;- Ah, não, não. Eu escrevo algumas besteiras.&lt;br /&gt;- É redator de revista masculina? – perguntou em tom sério.&lt;br /&gt;- Não! Não, é que...&lt;br /&gt;- To brincando com você. – cortou ela tirando sarro. – Eu te entendi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Alende riu também. No painel escuro, via-se uma figura humana andrógina, bela e pueril, de pele rosada, sendo parida por uma mãe de pele negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- A obra é sobre sociedade, né? Etnias, brasilidade, Macunaíma e tudo o mais, né? – perguntou Alende.&lt;br /&gt;- Bom, se você vê isso na obra, é isso que ela é.&lt;br /&gt;- Hahaha, sem enigmas, do que se trata?&lt;br /&gt;- Ela trata exatamente do que você enxerga. – persistiu enigmática.&lt;br /&gt;- Ah, sei. – disse ele com sorriso de boca fechada. - Um teórico modernista disse que as obras de arte, principalmente desde as estéticas vanguardistas, tomavam significado, ou ao menos estabeleciam uma linha de pensamento sugestiva, a partir do nome da obra.&lt;br /&gt;- Razão pela qual muita obra de artista modernista consta nos museus como “sem nome”. – devolveu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ele teve que rir. Ela era rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- Tá, tá bom. A tua tem nome?&lt;br /&gt;- Tem. Chama-se Antes do Princípio.&lt;br /&gt;- Hum... Legal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Alende permaneceu por alguns segundos observando a obra, até que ela resolveu falar mais sobre o que pintara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- É sobre a criação do universo. A criança é uma representação de Deus, sendo parida pela mãe-universo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ele estava sem chão. Era mais lindo que no início agora, mas não era exatamente por isso que ele estava abismado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- Quer dizer que, não obstante Deus não ser uma figura puramente masculina, o universo foi criado pela figura feminina nessa sua leitura?&lt;br /&gt;- Se isso é o que você vê. – Disse ela provocativa.&lt;br /&gt;- Mas isso é primitivo. Mitologicamente é um retrocesso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O que Alende queria mesmo era dizer que aquilo era imaturo. Deveria ter percebido antes. Ela era bonita e jovem. Era esperta e rápida também. Comunicativa. Mas tava ali, na obra dela, gritante, a imaturidade. Muita imaturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- Não cara. É arte a partir de uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aquilo o deixou atordoado. Quase não conseguia admitir a profundidade da resposta dela. A arte, na medida em que é expressão, sempre foi, ao longo da história, predominantemente masculina, é verdade. E isso não só na pintura, Alende sabia disso. Tentava se justificar em busca de um estado mais confortável ao pensar que a arte e a representação masculina da divindade não têm a ver com o fato de que quase a totalidade das obras artísticas que se conhece hoje fora criada por homens. Pra ele, a arte, mesmo que expressa pela mão masculina, era universal, assexuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. Aquela resposta mexera com ele. Aquela resposta veio que nem uma bala na cabeça de Alende. Aquilo ultrapassou o sentido estético, mítico e histórico da conversa. Três semanas depois ele ainda tinha pesadelos à noite. Afirmou sentir dores estranhas na testa e no tórax. Estava atormentado, assombrado pela artista de cabelos negros. Ela passara a ser figura arquetípica no inconsciente onírico das noites de Alende. Era um enigma, uma entidade. E ele só pensava numa coisa agora: quem era realmente imaturo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo dia, depois da resposta dela, ele esboçou qualquer sorriso vago. Trocaram algumas palavras e uns minutos depois ele se despediu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;- Você é quadro modernista daqueles “sem nome” também? – Brincou.&lt;br /&gt;- Meu nome é Cecília – disse ela em riso simpático, graciosa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas o nome não ia ajudar a entender.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-3113515727946137370?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/3113515727946137370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=3113515727946137370' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/3113515727946137370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/3113515727946137370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/03/antes-do-princpio.html' title='Antes do Princípio'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-8858089561590390992</id><published>2008-01-08T19:21:00.000-08:00</published><updated>2008-01-18T16:48:33.805-08:00</updated><title type='text'>O Laço Vermelho</title><content type='html'>Corri engraçado até o sebo pra fugir da garoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebos são maravilhosos. Fui deslizando os olhos pelas torrentes de livros cheios de alma. Lidos e repassados. Livros lidos têm personalidade, foram úteis, fizeram alguém divagar, sentir. Livros de sebo têm alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Procura alguma coisa, cara?&lt;br /&gt;- Não não, valeu. – respondi sem olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei um Hesse. Sidharta. Dei uma folheada cheia de lembranças. Sartre. Wilde. Depois de vários, puxei Poe. Um compilado velho de contos, capa dura daquelas de biblioteca, lisa e azul, com o título em dourado na lateral. Páginas manchadas, cheirando tempo. Abri o livro no meio, casualmente, o que fez a brochura gemer, como que reclamando de um longo sono. Espantei-me ao me deparar com um enigma na página, escrito com o sangue de algum leitor pirado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;O laço vermelho pertence ao dono do sebo&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei em volta pra me certificar de que ninguém compartilhava de minha descoberta. Depois voltei à charada doida, escrita em desespero. Olhei novamente ao redor e quando ia voltar ao livro, meu olho deslizante capturou o inesperado: um lenço vermelho jazia embolado no meio de uma fileira de livros, na mesma estante em que eu havia pegado o volume em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Involuntário, meu braço avançou até o objeto. Com o olhar desconfiado, peguei o laço de seda e o observei. Era um laço liso, novo, em bom estado. Observei o dono do sebo por uns instantes, discretamente, tentando decidir o fim daquilo. Conclui rápido, sem pensar muito, que se o laço vermelho pertence ao dono do sebo, caberia a mim leva-lo ao seu dono. Nada mais simples. Fui até o balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa escolha. Custa cinco conto. – disse o homem com um sorriso amigável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim “boa escolha”? Permaneci encarando-o sem entender, e então olhei para o objeto em minhas mãos. Entre meus dedos jazia um volume surrado de qualquer peça shakespeariana. Noite de Reis, pra ser mais preciso, numa capa vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendi nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué cara, eu tava com seu laço aqui na minha mão. Deve ter caído. – me desculpei meio confuso. Rastreei pelo chão, percorrendo com os olhos o caminho até a estante em que eu havia devolvido o volume de Poe que segurava há um minuto.&lt;br /&gt;- Que história é essa de laço? Você não é o primeiro que me vem com essa na semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei assustado. Era piada, uma pegadinha. Não, não, tinha a mensagem no livro do Poe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem cá ver isso – chamei-o até a estante e procurei o livro de contos do Poe. O livro havia sumido. – Cara, tava bem aqui, um livro de contos do Allan Poe. Tava escrito em sangue.&lt;br /&gt;- Ah meu deus, essa história fica cada vez mais divertida – gozou o dono do sebo, cético. – Ontem uma moça disse que tava escrito com batom, num Huxley.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- E outra, cara, o último volume de Poe que eu tinha aqui foi comprado semana passada - disse ele, explicativo. – Só to contando isso porque to começando a levar isso a sério. Pó, cê deve ser o décimo cara a vir com esse diabo de laço vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos a voltar para o balcão. Meus olhos se perdiam vagando pelo chão, sem entender nada. Eu havia sentido a fita vermelha, a seda entre os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tem outra. – disse ele com as sobrancelhas arqueadas. – Vocês sempre trazem Noite de Reis, do Shakespeare, depois da história doida do laço.&lt;br /&gt;- Ué, e como ainda tá aqui?&lt;br /&gt;- Nenhum deles comprou. Saem todos meio pensativos, atordoados. Estranho pra cacete.&lt;br /&gt;- Caramba...&lt;br /&gt;- Pois é. – coçando a nuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um breve momento, desconfiei de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é brincadeira tua não, né cara? – intimei inquisidor, meio agressivo até.&lt;br /&gt;- Pô cara, claro que não, não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão era verossímil, não tinha porque duvidar do coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garoa tinha dado uma pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai levar a peça do shakespeare?&lt;br /&gt;- Pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tava uma pechincha mesmo. E em bom estado, até. Mas sei lá, não vou mentir pra mim mesmo: comprei aquilo como se tivesse quebrando um feitiço naquele sebo. Devo ter ficado constrangido com o pobre do vendedor e resolvi comprar a tal da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que doideira. Não é de se acontecer todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do estabelecimento, começou a garoar fraquinho de novo. Pela vitrine, o vendedor organizava uma estante qualquer. Distraído, esbarrei numa vendedora de camelô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vendia laços de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laços vermelhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-8858089561590390992?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/8858089561590390992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=8858089561590390992' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8858089561590390992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8858089561590390992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2008/01/o-lao-vermelho.html' title='O Laço Vermelho'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-5596524796787589456</id><published>2007-12-19T15:09:00.001-08:00</published><updated>2007-12-19T20:57:40.903-08:00</updated><title type='text'>...idiotas</title><content type='html'>Alex tem 2 irmãos. Um é um idiota irresponsável e o outro um idiota responsável. Alex antes via seus irmãos com grande carinho... ainda vê... mas a negatividade no ar joga a bondade na sombra... Alex sabe disso, mas não consegue evitar, afinal, ele também gosta de assumir e enfiar o pé na merda com orgulho de ser humano. "Porque eles podem e eu não?", "Só eles tem o direito de errar?". Alex também queria ser um idiota. As pessoas aparentam respeitar idiotas... Isso mata o coração e a inteligência de qualquer um. Outro fenômeno inexplicavél. Alex sentiu no fundo do coração e entendeu o porque que tantos querem que o dia do julgamento chegue logo. Ele quer ver do que são feitos os idiotas... e agora, por curiosidade humana (ou idiota), também quer ver do que são feitos esses seres estranhos que querem ver os outros se darem mal, por serem idiotas, seres estranhos esses, que nesse momento Alex se julgou fazer parte.&lt;br /&gt;O irresponsável, Alex não via mais ternura, bondade nem irmandade. Via uma pessoa, "malandra", que se vangloria e se orgulha de tirar proveitos dos outros... mas, como todos tem suas razões, ele seguia aquela lógica dos mais fortes como sobreviventes... "Mas irmão... até nisso você falhou, porque isso é uma fraqueza, não força.", "Como assim? Eu sou mais inteligente, consigo que todos me dêem o que quero apenas com palavras e falsas caras!", "Querido irmão, não seja estúpido, forte é Ela, que sabe da sua fraqueza, dá o que você pensa que quer, não fala nada e não te deixa suspeitar que ela sabe que você é um grande mentiroso.", "Ainda acho isso burrice."... Alex logo desistiu... não se pode argumentar com pessoas que estão de acordo com o que eles pensam ser sua natureza. Alex decidiu se afastar e deixar Ela cuidar disso. Reconheceu que esse idiota tem seu próprio caminho, e não cabe a ele pensar, prever ou refletir sobre ele, é algo totalmente fora do seu controle, mas não quer mais a interferencia dele no seu próprio.&lt;br /&gt;E o idiota responsável, bem, tentou empurrar sua responsabilidade para outros. Não a sua carga, mas sim a sua própria essencia. Quis que Alex fosse responsável. Alex pensou: "Sou responsável com o que me concerne, não com coisas que não tem nada a ver comigo. Sou responsável comigo."... e o idiota responsável também se afastou de Alex.&lt;br /&gt;e Alex, agora, é um idiota solitário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-5596524796787589456?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/5596524796787589456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=5596524796787589456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/5596524796787589456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/5596524796787589456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/12/alex-e-seus-irmos.html' title='...idiotas'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-655320736139004652</id><published>2007-12-11T13:42:00.000-08:00</published><updated>2007-12-11T13:43:53.411-08:00</updated><title type='text'>O Escritor</title><content type='html'>- Beba. São pregos.&lt;br /&gt;- Ah, vai se fudê.&lt;br /&gt;- Cê tem algo a dizer?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Então...&lt;br /&gt;- Ah, cara, que merda.&lt;br /&gt;- Vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acendeu o cigarro preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê não tem nada a perder.&lt;br /&gt;- Merda, cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava pro copo de vidro cheio até a boca de pregos tamanho doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relaxa. É ou não é? Cê tem ou não tem algo a perder?&lt;br /&gt;- Sei lá, cacete.&lt;br /&gt;- Bebe.&lt;br /&gt;- Caralho, vai foder minha garganta toda.&lt;br /&gt;- Porra, não é esse o objetivo? – gritou.&lt;br /&gt;- É, eu sei, eu sei. – disse, acuando amargurado. – Merda, não sei se eu consigo.&lt;br /&gt;- Seu bicha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei pronto a quebrar a cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, calma. To ligado que é difícil. – disse com um sorriso torto, como que em tom de desculpas. – Senta aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê sabe. Cê sabe que você quer.&lt;br /&gt;- Ah, cara. – lamuriei.&lt;br /&gt;- Só vai te dar vantagens. Puta experiência do caralho, cê sabe.&lt;br /&gt;- Sei de porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio e a fumaça dançando na penumbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê quer desistir?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu e tossiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manda pra dentro. Mata logo essas merdas desnecessárias.&lt;br /&gt;- Queria comer uma lasanha pela última vez.&lt;br /&gt;- Caralho, vai se fuder, cê não para de ch...&lt;br /&gt;- Tá, tá bom – atropelei a bronca dele – eu paro, cara. Vô beber, relaxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reboliço cessou e só ficou o silêncio e a fumaça, de novo. Tragou mais uma vez e apagou o toco de cigarro na mesa. Se inclinou em minha direção, debruçado na mesa, e me encarou duramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beba, são só pregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, só escrevo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-655320736139004652?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/655320736139004652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=655320736139004652' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/655320736139004652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/655320736139004652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/12/o-escritor.html' title='O Escritor'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-1685702686370518371</id><published>2007-12-05T20:41:00.001-08:00</published><updated>2007-12-05T20:41:11.413-08:00</updated><title type='text'>Solitário Sancho</title><content type='html'>&lt;span lang="PT-BR"&gt;Era uma noite estrelada. Dessas que as pessoas costumam a escutar sobre, mas raramente presenciam, principalmente nos dias de hoje... E é exatamente por isso que essa noite era estrelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sancho viajava sozinho junto ao seu pequeno cavalo chamado Cavalo. Realmente não estava sozinho, acompanhado do seu cavalo amigo, mas como ele não obtinha respostas, ele se considerava sozinho... Nessa noite, Sancho, viajando sob as estrelas do norte, se nominou Solitário. Ele disse ao ar e ao vento, como se concluisse um capítulo de sua vida: “A solidão não é um fardo”. Sancho se sentia sábio... Se embriagou de sabedoria... e imaginou se os três Reis sábios se sentiram, ou se sentiam, assim. Nessa noite, Sancho se deu esse direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estrelas já não eram as mesmas... mas a luz, era igualmente brilhante. O mundo mudava enquanto cavalo caminhava... mas a paisagem, era igualmente bela. Não se via muito... mas o que se via, era realmente belo. E nessa sensação estranha, contemplando o mundo escondido, levemente iluminado, apenas exibindo tímidas silhuetas... Sancho sentiu falta do seu querido amigo. Seu amigo, seu único amigo... como fazia falta... e enquanto seu peito se enchia de melancolia... o vento não permitia e apagava essa tristeza lentamente. Sancho sentiu esse dedo invisivel, e, justamente, achou que era seu querido amigo. Mais uma vez, Sancho sentiu-se sábio e disse ao seu amigo: “A solidão não é ausencia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol já começava a dar sinais de vitória sobre a noite... mas as estrelas ainda estavam lá emcima, olhando para Sancho. Sancho olhou para elas de volta... e voltou a pensar em seu amigo distante. Dessa vez não havia vento nem toque invisivel, Sancho chorou por seu amigo... cavalo andou mais devagar... o mundo não parou de mudar e as coisas estavam ganhando cores e perdendo suas misteriosas silhuetas... Sancho tentou se segurar, mas, como a sabedoria que o havia tomado horas atrás, embriagou-se de emoção... encheu o peito de alegrias e tristezas... com seu nariz apontado para o céu, de olhos fechados ele chorava e ria, as lágrimas escorriam pelos dois lados do seu rosto... Seu coração parecia que ia explodir... ele sabia... e cavalo também... mas eles nunca pararam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia falta da coragem do seu amigo... A sabedoria apareceu mais uma vez... o sol já aparecia timidamente no horizonte, secando o rosto de Sancho. Não havia conclusões ou afirmações. Sancho não disse nada para o vento, ou para as estrelas que desapareciam ofuscadas pelo forte céu azul... Sentiu uma saudade estranha da sua cidade, sua civilização e de sua casa... sua família... mas sabia que já não existia. Inflado com sabedoria... Agradeceu e, sem despedir-se de cavalo, sozinho, começou a andar em direção ao sol. Ele já não era solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cansaço era extremo, mas agora já não importa a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra havia terminado...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-1685702686370518371?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/1685702686370518371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=1685702686370518371' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/1685702686370518371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/1685702686370518371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/12/solitrio-sancho.html' title='Solitário Sancho'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-4891685518947689925</id><published>2007-10-21T18:51:00.000-07:00</published><updated>2007-10-21T18:52:08.044-07:00</updated><title type='text'>A Invenção da Imortalidade</title><content type='html'>Numa tarde ensolarada de manhã chuvosa os deuses resolveram se encontrar pra matar a saudade e beber cerveja até a floresta anoitecer. De longe, o homem solitário viu a orgia dos divinos e seu coração palpitou de felicidade. Correu rápido à festa e lá bebeu a bebida deles e comeu a comida deles. Tudo era ébrio, gargalhada e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversava sobre o belo e o mundo quando o deus caçador, que muito lhe estimou, lhe lançou uma tarefa. Havia uma besta criada pela natureza, cujos deuses não tinham o poder de matar. A besta era madraça e preguiçosa, mas devorava brutalmente quem quer que cruzasse seu caminho. Devastava sua criadora e assassinava todos os deuses corajosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem de pensamento torpe quis saber qual era a recompensa. Em troca, disse o deus caçador, lhe dou a imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebeu até a lua ir embora com os deuses. Ali mesmo, debruçado sobre uma rocha recostada num carvalho frondoso, dormiu até a tarde seguinte. A solidão e uma cigarra o acordaram. Esfregou os olhos de ressaca e sua barba sorriu o rir satisfeito de sua lembrança. Esticou os ossos e pulou na terra firme pra despertar. Catou sua lança e foi buscar a besta que lhe traria a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trilha que formava, o homem matou leões pra que lhe sobrassem as zebras. Alimento havia em abundancia e, ao rumar ao seu destino, o homem se fortalecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa manhã de noite bem dormida que o homem acordou por um sísmico e próximo abalo terrestre. Ao pular num átimo e abrir os olhos, sua lança já apontava para o diabo gigantesco. Tinha a altura de várias árvores e sua pele era de rocha. Entre saltos esquivos e movimentos sagazes o homem desviava heroicamente da morte que a tudo devastava. Via raízes e troncos despedaçando-se nos ares e o imenso punho de pedra que quase arrancara sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo o homem em fuga percebeu que corria na direção de um precipício. Assim, tomou coragem e parou observando o demônio ensandecido vir em sua direção. Segurou firme sua lança e num movimento anguloso despendeu toda a força de sua alma num lançamento que mirava a fronte da criatura. A lança rasgou o ar e ao acertar em cheio a criatura, despedaçou-se como sua esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem se ajoelhou e se encolheu no chão. Espremeu os olhos enquanto sentia os abalos da corrida do monstro lhe tremerem a alma. A morte passou em sombra, tato e som por cima de sua insignificância e caiu, muda e finalmente com um estrondo maravilhoso no fim do precipício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu coração gemia de alívio, e ainda tremendo viu a criatura atordoada pela queda, lá em baixo. Rápido, desceu escalando a montanha e numa coragem insana saltou sobre a corcunda da besta, aproveitando seu estado. Subiu até o pescoço e saltou para a orelha. Apoiou-se e entrou naquela cavidade fedorenta. Logo dali viu a câmara quase oca de seu crânio e uma pequenina massa cerebral em seu centro, suspensa por cabos venosos e nervos. Sem hesitar, pulou naquela massa e, ao sentir o despertar da criatura, rasgou com garras e mordidas ferozes o pequeno cérebro da besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo ficou inânime ao redor do homem, e ao sair do crânio de pedra, caiu no chão e descansou por alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã de garoa o homem acordou, e na frente dele o deus caçador bebia cerveja com alguns outros. O deus sorriu para o homem e lhe ofereceu bebida. Tudo era amor, satisfação e redenção. O homem então lembrou-se da promessa de sua recompensa e o deus da caça, com um sorriso amigo, o chamou para ir com ele até uma gruta que havia ali perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem palpitava de alegria, agitação e ansiedade. Ao chegarem, o deus caçador colheu uma fruta vermelha e de sua algibeira retirou uma cuia e um toco. Ali mesmo, abaixou-se apoiando a cuia no chão e amassou a fruta com o toco, até virar algo como uma sopa. O homem prestava atenção e vidrava em cada movimento daquele processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deus da caça foi à parede da gruta munido de sua sopa vermelha e desenhou uma figura humana. O que você vê aqui?, perguntou ao homem. O homem custou a entender, mas finalmente compreendeu o que era aquilo. Deu então ao homem a cuia e pediu para que desenhasse um leão em ação, perseguindo uma zebra. Não demorou muito, o homem reproduziu a imitação daquela cena. Pronto, lhe disse o deus caçador, você agora possui, além do meu amor, a imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração do homem gozava de uma felicidade completa. Tão logo o deus partira, o homem subiu no topo do monte em que a gruta se fendia. De lá de cima, contemplou a floresta do mundo em toda sua extensão. Respirou fundo, abriu os braços, e finalmente saltou de lá de cima para provar sua eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-4891685518947689925?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/4891685518947689925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=4891685518947689925' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4891685518947689925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4891685518947689925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/10/inveno-da-imortalidade.html' title='A Invenção da Imortalidade'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-2003515749415301334</id><published>2007-10-12T15:42:00.000-07:00</published><updated>2007-10-14T10:54:25.064-07:00</updated><title type='text'>masturbme</title><content type='html'>- Eu me lembro da minha primeira punheta. Foi no quintal da minha casa, acompanhado de passáros e uma playboy de uma loira voluptuosa e vulgar...&lt;br /&gt;Os 2 V´s necessários para posar... Sexy? Feminilidade? Pra que? Nao existe um motivo. Melhor, hoje os padroes de excitaçao estao extremamente baixos... talvez extremamentes distintos... e vulgar e voluptuosa é um ponto comum do mediocre.&lt;br /&gt;- E aí? Você gozou??&lt;br /&gt;- Gozei claro! Mas nao saiu nada... Hahahaha até procurei e olhei em volta... mas nao...&lt;br /&gt;Acho que aquela época era melhor... Era só um extase puro, novo e sem se preocupar em se melar todo. E queriamos que saísse! Será que era pra ter uma prova do acontecimento? Ou porque queriamos crescer... A 1ª opçao é plausível também.&lt;br /&gt;- Hahahahaha e ai?&lt;br /&gt;- E ai... eu me senti culpado.&lt;br /&gt;- Culpado???&lt;br /&gt;- É... Nao sei porque. Mas um sentimento de culpa tomou conta de mim...&lt;br /&gt;- Nossa... porque???&lt;br /&gt;- Nao sei... Mas naquele dia em seguinte eu rezei muito.&lt;br /&gt;Condenado ao inferno. Como todos em volta a cada dia... Julgava, julgava e julgava... Que sensaçao de poder estranha essa de dizer "Coitado, vai pro inferno..." "Há, você vai pro inferno...". O que incomoda, é uma criança sentir isso.&lt;br /&gt;- Rezou por causa de uma punheta?&lt;br /&gt;- Uhum... me senti culpado. Mas no dia seguinte voltei a fazer hahahahahaha&lt;br /&gt;- Hahahahaahahahahaha claro! O que tem de errado?&lt;br /&gt;- Nada!&lt;br /&gt;- E... porque?!?!&lt;br /&gt;- Nao sei...&lt;br /&gt;Sei sim. Tinha parentes, mais velhos, religiosos fervorosos, eloquentes, e, apoiados com sua Biblia, dotados de uma lógica cruel... E tinha eles como exemplos. Mas via muito pouco eles... graças a Deus.&lt;br /&gt;- Ei... Ehm... Hehehehehe... Sabe... Hmm.. Sabe? Sabe punheta?.. É pecado??&lt;br /&gt;- Sim. É pecado. Nao lembro o livro que diz, mas é sim.&lt;br /&gt;Pronto, condenado ao inferno. Choros, rezas e sacrifícios. O pior. Sabendo disso... A masturbaçao nao parou. Motivos a mais pra queimar! Antes um ignorante, agora, sabendo da verdade... Cometia mesmo assim.&lt;br /&gt;- Nossa... muito estranho cara...&lt;br /&gt;- É eu sei... sofri com isso. Mas eu tinha amigos com quem eu podia me abrir...&lt;br /&gt;E bem, se queimariam no inferno por isso, queimariam juntos... Entao nao seria tao ruim.&lt;br /&gt;- É... ajuda bastante ter cumplíces.&lt;br /&gt;- Com certeza... Um Amigo salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Religiao, religiao...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Salvaçao e perdiçao&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo de você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e por você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mae prostituta e Pai assassino&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mae sagrada e Pai santo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo de você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e por você&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Saia da igreja&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para que eu possa te ver.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-2003515749415301334?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/2003515749415301334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=2003515749415301334' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/2003515749415301334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/2003515749415301334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/10/masturbme.html' title='masturbme'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-1493753649690863613</id><published>2007-09-23T19:51:00.000-07:00</published><updated>2007-09-23T19:54:29.568-07:00</updated><title type='text'>O Galo e a Coruja</title><content type='html'>Havia uma mangueira muito grande, casa de uma velha coruja. A coruja era pacata, e morava sozinha. Perto da frondosa árvore, vivia um galo galã. O galo galã era arrogante, e todas as manhãs ia até o pé da mangueira, respirava fundo, e berrava aos quatros cantos do mundo. Berrava com esplendor, até o peito se esvaziar e não sobrar nem ar, nem canto nenhum. Daí ele se recompunha e ia embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã, a coruja pacata resolveu interromper o canto matinal do galo galã:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, seu galo galã. Cantas hoje? - perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Canto sim senhora, pacata coruja, afinal, o mundo precisa do meu canto - respondeu o galo com um trejeito galã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa? - provocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é claro. O sol, sozinho, não dá conta de acordar o homem - tornou o galo sabe-tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra isso é que o homem tem um relógio despertador. E me desculpe a indelicadeza, mas o aparelhinho é mais preciso que o senhor, senhor galo galã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acontece, querida, que despertadores pifam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora pois! Galos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O galo fez uma carranca feiosa, cheia de desdém. Puxou ar até ficar todo roxo e cantou um canto que jamais cantara, de tão forte. Tão estridente e intenso fora o berro que o galo galã secou todinho o ar do pulmão, e ressequido e enrugado, caiu duro e seco no chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-1493753649690863613?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/1493753649690863613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=1493753649690863613' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/1493753649690863613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/1493753649690863613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/09/o-galo-e-coruja.html' title='O Galo e a Coruja'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-8669288817974905986</id><published>2007-08-22T10:49:00.001-07:00</published><updated>2007-08-22T10:49:43.597-07:00</updated><title type='text'>A criação do universo</title><content type='html'>Alex é um menino calmo. Está na flor da idade. Prestes a passar pela puberdade, ele se agarra a sua infância e a sua criança como se dependesse disso para sobreviver. Poderíamos dizer que se crescer é pular em uma piscina de um trampolim, sua infantilidade é a sua bóia de segurança.Nesses últimos &lt;st1:personname productid="dias Alex" st="on"&gt;dias Alex&lt;/st1:personname&gt; tem pensado muito sobre a sua vida, melhor, têm sentido muito, porque crianças na sua idade não pensam muito, isso é coisa de adulto. É o seu passatempo preferido: na hora de dormir, no meio do escuro, quando todos da sua casa já estão dormindo, deitar de barriga para cima, olhando para o teto, contemplando o nada e o tudo. Agora que está crescendo, tem medo de não conseguir mais passar minutos da sua noite fazendo isso... Afinal, quando crescemos, simplesmente perdemos contato com as coisas.&lt;br /&gt;Murmúrios e palavras ecoavam no nada. Vozes grossas e poderosas. Alex estava atrás de um pilar que não era um pilar. Ele olhou em volta. Reconhecia os pilares do seu livro de escola, pareciam gregos, igual aos do Parthenon, mas não, eram disformes, eles não tinham forma, não, eles mudavam de forma. Alex andou em frente, a noite e o dia lutavam no ambiente, o nada tinha forma e o tudo era disforme. As paredes não existiam, a sensação era a de andar no meio de uma explosão sem calor e infinita, Mágica.&lt;br /&gt;Alex parou no centro da explosão. As coisas pararam. A explosão sumiu e as coisas tomaram formas, menos as paredes. Um caldeirão e cinco bruxos se tornaram reconhecíveis. Alex aproximou-se, calmo e curioso. Os bruxos continuavam a entoar cantos e magias. Eles jogavam ingredientes no caldeirão, dizendo coisas como: Tragédia, Amor, Felicidade, Infelicidade, Ódio, Desespero, Esperança, Sonhos, Angústia, Juventude, Velhice, e coisas do tipo. Eles pararam ao perceberem a presença do menino. Olharam para ele. Perguntaram de onde e quando o menino era. Ficaram estupefatos.&lt;br /&gt;“O que estão fazendo?” perguntou o menino. Os bruxos responderam juntos que estavam a criar o universo e o mundo que Alex conhece. Alex não se preocupou em como ele chegou ali, não era importante. Não obstante, queria saber o porquê que jogaram tantos ingredientes ruins no caldeirão. O bruxo do meio deu um passo pra frente e disse: “Para o seu crescimento”. Alex não ficou contente com a resposta e perguntou o porquê. Cada bruxo deu uma resposta diferente, um completando o outro. Nenhuma das respostas satisfez Alex e seguia sem entender o porquê do sofrimento como chave para o crescimento. Nenhum dos bruxos conseguiu dar uma resposta. Eles também, agora, estavam a duvidar de si mesmos e do Universo a ser criado. O bruxo do meio, o mais sábio de todos, colocou um punhado de terra na mão de Alex e disse que o que ele falasse que era, seria. Alex não pensou duas vezes, aproximou-se do caldeirão e jogou a terra, e pensou fortemente na palavra sem dizer em voz alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do sol que passava pela fina fresta da persiana atingia os olhos de Alex. Acordou incomodado, mas, Escolhe não sofrer com isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-8669288817974905986?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/8669288817974905986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=8669288817974905986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8669288817974905986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/8669288817974905986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/08/criao-do-universo.html' title='A criação do universo'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-4478260268221496761</id><published>2007-08-21T20:15:00.000-07:00</published><updated>2007-08-21T20:16:12.247-07:00</updated><title type='text'>Finitude</title><content type='html'>Leonardo não conseguia pregar os olhos. Mirava o teto como se mira o ar antes dele. Olhava para o nada. O relógio da sala atormentava o silencio e o sono de Leonardo com sua insistente profecia. Era um emissário do tempo, um sacerdote cronológico. Era impossível dormir. Ouvia em meio a escuridão aqueles dizeres que rasgavam sua alma a cada tique, e em todo taque. Era como uma pulsação torturante. Uma promessa expressa onomatopeicamente em tiques e taques, mas que traduzida gelava o coração dizendo: fi-ni-tu-de-fi-ni-tu-de-fi-ni-tu-de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque um simples barulhinho o atormentava tanto, Leonardo não sabia dizer. Não conseguia nem mesmo pensar, tão incomodado que estava. Tique, taque, tique, taque. Barulhinho infernal. O garoto se levantou da cama, foi até a sala escura, iluminada fracamente pelas persianas da janela. Súbito, pegou o relógio nas mãos e o encarou. Tique, taque, tique, taque, tique, taque. Virando o aparelho, retirou a pilha e fez reinar um mar de silêncio naquela sala. Sentiu-se aliviado e sozinho. Devolveu o aparelho à estante e voltou para sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos sons que se faz quando se arruma com os cobertores e travesseiro, Leonardo percebeu que não havia silêncio verdadeiramente. Um barulhinho muito fraco pronunciava-se de dentro do banheiro. Assim como o relógio, o barulhinho cronometrava a noite com suaves plic, plic, plic. O garoto sinceramente não ligava pros sons dos automóveis ou sussurros de gente acordada que se faz ouvir pela madrugada nas ruas. Mas aquele som constante era insuportável. De fato, começou a duvidar da existência do silêncio. Não poderia haver sequer um segundo na existência em que reinasse a total falta de sons. Até mesmo quando afundava a cabeça no travesseiro ouvia sons da fronha se enrugando ao mínimo movimento, por estar próxima aos seus ouvidos. Quando tampava os ouvidos com os dedos, ouvia como que possesso a batida de seu coração como outro emissário cronológico. O tempo se fazia presente em todos os sons, enchia toda a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e foi ao banheiro. Rolando a porta de vidro do box, viu a gota que caía do chuveiro à laje. Plic, plic, plic, plic, plic, plic. Olhou à sua volta, e num átimo resolveu acabar com o problema direto pela raiz. Acendeu a luz e seus olhos arderam. Subiu no vaso e com satisfação fechou o registro, apertando-o com toda força e vontade de quem não suporta mais uma insônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se novamente, e com olhos apertados ficou a perscrutar algum som constante, como que cronométrico naquela noite de tormenta. É claro que o silencio não haveria de se fazer acontecer, mas finalmente as existências que pronunciam o tempo em seus dialetos monocromáticos e insuportáveis resolveram finalmente deixar Leonardo dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-4478260268221496761?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/4478260268221496761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=4478260268221496761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4478260268221496761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/4478260268221496761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/08/finitude.html' title='Finitude'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-5292216650976573570</id><published>2007-08-21T15:38:00.000-07:00</published><updated>2007-08-21T15:41:24.131-07:00</updated><title type='text'>João e Madalena</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;João é um cara comum. Honra todos os Joãos antes dele e os que virão depois. Sem problemas, consegue encantar qualquer pessoa ao seu redor. Tem uma energia que cerca ele... magnética, poderosa e misteriosa. É como se fosse o centro do universo. Um deus perdido na terra, onde tudo acontece em volta dele. E no fundo, sem assumir, era mais ou menos isso o que as pessoas achavam...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;João estava cercado de amigos quando pousou seu olhar &lt;st1:personname productid="em Madalena. Ele" st="on"&gt;em Madalena. Ele&lt;/st1:personname&gt; não acreditava nessa visão, que de imediato lhe roubou seus poderes, sua energia... seu centro magnético. João sabia de seus poderes e os usava com inteligência e astúcia, nunca tirando proveitos de outros, somente das situações. Nesse momento as pessoas em volta a João sentiram um véu cair e não se sentiram mais atraídas a ele. João se levantou da mesa e ninguém contestou... Atravessou a rua para ir ao encontro de Madalena. Para as pessoas na mesa, não passava de uma mulher ordinária, quem sabe, até um pouco vulgar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Madalena e João funcionaram sem falhas, eram perfeitos um com o outro, nada os impedia, nem o deus do vento e da chuva tentaram algo, nada, absolutamente nada quis se opuser a essa união. Como um desejo longamente ansiado pela natureza, João e Madalena eram felizes, deus e deusa unidos finalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Uma noite, João e Madalena estavam a sonhar, mas não sabiam que estavam sonhando juntos. Nesse mundo de sonhos, o deus do Amor lhes retirou seus poderes. Disse-lhes: “Agora não necessitam mais nada”. Acordaram juntos, sem saber o que dizer e o que sentir, ambos fingiram ser nada e disseram a mesma desculpa pelo brusco acordar na noite – Acordei com você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;No mesmo dia Madalena sonhou acordada. O deus do Amor apareceu mais uma vez, e perguntou o que ela queria: “João ou os poderes?”. Hesitou um pouco e disse: “João”. Madalena acordou rapidamente e se sentia um pouco melhor. O deus do Amor apareceu para João e lhe fez a mesma pergunta. João hesitou muito. O deus do Amor não lhe deu chance de uma resposta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;João e Madalena já não sentiam a mesma coisa. Não eram a mesma coisa. Ela sofria por ele e ele por ninguém. Sua união fora proibida pelas estrelas guardiãs. João fora destituído de sua imortalidade e morreu um homem. Conhecido pelos mortais desse mundo e muito amado. Porém não amou mais ninguém como Madalena. Tal amor que nem tinha mais lembranças em sua mente. Um vento, uma sombra que passou no coração desse deus na terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Madalena o ama pela eternidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-5292216650976573570?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/5292216650976573570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=5292216650976573570' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/5292216650976573570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/5292216650976573570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/08/joo-e-madalena.html' title='João e Madalena'/><author><name>Aron Matschulat Aguiar</name><uri>https://profiles.google.com/100495233802555571007</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh4.googleusercontent.com/-EhGTgafKZZk/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAADoo/bZpMwhh1AyM/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-199656995029363506</id><published>2007-08-21T09:22:00.000-07:00</published><updated>2007-08-21T09:25:54.753-07:00</updated><title type='text'>Marta e o Cão</title><content type='html'>Marta trabalhava nas terras verdes do rei Augusto, numa pequena vila chamada Abacate. A vila era pequena e sossegada, e Marta era uma moça simples, que trabalhava muito duro para seu senhor, Lorde Espíndola. Este homem era um influente comerciante nas redondezas, e talvez o mais próspero entre os chefes-marceneiros do rei Augusto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho de Marta era envernizar e pintar as peças já trabalhadas pelos artesãos e marceneiros. Era um trabalho de muita responsabilidade, já que era a ultima etapa do processo de produção das peças. O negócio de Lorde Espíndola consistia em produzir carros reais e militares de toda espécie; desde carroças, carros-de-boi e de arado até charretes, cabriolés, carros-de-luxo e caleças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fins de semana, Marta reunia muitas crianças da vila no galpão onde trabalhava durante a semana. Lá ela pegava todas as sobras de tinta e ensinava as crianças a fazer pinturas em madeira e em couro. Ela gostava muito das crianças e cada uma delas a amava. Marta considerava-se feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma quarta-feira de sol causticante e Marta pintava um magnífico carro luxuoso que provavelmente se destinaria à chegada de algum convidado do rei. Já havia pintado a primeira camada de tinta em todo o carro, e se sentou num pequeno balde de madeira virado ao ar livre, fora do galpão da oficina, para se refrescar e tomar um pouco de ar. O suor escorria por seu corpo inteiro, das sobrancelhas delicadas e loiras até as canelas. Em seu avental de couro exibiam-se borrões de pinceladas azuis e escarlates. Ouvia-se somente o canto das cigarras, e vez em quando um galopar distante na estrada. Ali só havia ela e a brisa fresca que acariciava seu cabelo, o campo e as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo tocou seus dedos. Num susto, Marta puxou a mão até o peito e quase caiu do banco quando sentiu aquele toque úmido. Surgira do nada um grande cão negro ao seu lado, que arfava de cabeça baixa e tristes olhos amarelos. O animal olhava para os lados, despreocupado e tranqüilo, e ao perceber o receio da moça, tornou a cheirar amigavelmente seu corpo. Marta foi relaxando ao perceber que não era um animal agressivo, e que provavelmente era um cão doméstico, da vizinhança. Levou a mão à cabeça do cachorro e acariciou-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cachorro voltou a arfar e só então marta percebeu que sua língua era de um verde esmeralda vivo. Ao lamber o pulso da moça, o cachorro deixara um rastro da mesma coloração de sua língua, como se um pincel embebido de tinha verde tivesse passado pelo dorso da mão de Marta. Ela arregalou os olhos e a princípio achou que o pobre cachorro tinha engolido uma boa porção de tinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pobre animal, confundiu uma lata de tinta com um pote de água, não é? Vamos, eu te dou um pouco de água pra que sua língua volte a ficar limpinha e vermelha". Súbito, ao pronunciar a ultima palavra, a língua do enorme cão se fez vermelho vivo. Marta se assustou e examinou a boca do animal. Sua mão se sujou toda da baba do bicho, que era de coloração rubra e viva, e até cheirava tinta. Quase como um reflexo automático, Marta pronunciou "azul", e a língua do animal se fez da cor do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta estava atônita com sua descoberta. Em sua frente havia um cão pintor; ou ao menos um cão que produzia tinta ao invés de saliva. Rapidamente chamou-o para a oficina. O animal se pôs à frente do carro como se examinasse o mesmo. Após alguns momentos, começou a rodear o veículo, e a farejá-lo, numa análise mais íntima. Marta apenas observava estupefata. O cão estendeu a língua pra fora e ganiu, olhando para a moça, a qual disse "escarlate, tom médio". Incontinenti, a língua do cão se fez tom médio de escarlate, o mesmo tom que ela estava usando nas rodas daquele carro. O cão começou a lamber cuidadosamente os detalhes nos aros. A moça não reprimia suas impressões: experimentava uma espécie de felicidade assustadora, como quando se descobre algo incrivelmente inimaginável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta passou a chamá-lo Izaque, como uma lembrança de seu falecido avô, que fora um grande pintor. Todos os dias, Marta trazia consigo o cão pintor para trabalhar com ela, o que o animal fazia com prazer. Marta passava longas horas depois do trabalho passeando e brincando com seu novo companheiro. Assim, meses se transcorreram naquele ano. Marta e Izaque pintaram muitos carros, e Lorde Espíndola, ao perceber a evolução na eficiência e na rapidez da produção, mostrou seu reconhecimento diminuindo as horas de trabalho da moça. Agora Marta podia dedicar um tempo livre fazendo o que mais gostava. E passava longas horas de seus dias a pintar quadros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia chuvoso, o rei Augusto resolveu ir até a vila de Abacate acompanhado de alguns militares, inspetores e alguns cobradores de impostos. Foi primeiramente até a casa de Lorde Espíndola cobrar tributos, e depois, acompanhado do mesmo, foi verificar o funcionamento de sua produção. Após visitar vários galpões e oficinas, chegou finalmente ao ultimo; um que era um pouco menor e mais simples, no qual uma bela moça chamada Marta trabalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva fez com que Marta e Izaque não notassem a chegada de sua senhoria e de vossa alteza. Lorde, rei e séquito pararam e olharam pasmos para o cão pintor. Permaneceram mudos e imóveis durante longos minutos, observando aquela cena surreal, mágica, provinda de feitiçaria. Não criam no que viam, e o rei várias vezes esfregou os olhos, desacreditando o que via. Após um tempo considerável, Izaque percebeu a presença deles e latiu. Incontinenti, as autoridades de recompuseram e Lorde Espíndola se aproximou, ainda estupefato, e questionou a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta viu que não havia saída. Sabia do seu destino agora. Mesmo assim, explicou tudo, nos mínimos detalhes, ao Lorde e ao rei, numa tentativa de apelar-lhes à razão. Mas sabia também que a lei e o estado são impassíveis. O rei Augusto apenas observava enquanto o patrão da garota a questionava e repreendia. A moça omitira por muito tempo este artefato místico, um ser inexplicavelmente demoníaco, essa besta que poderia ter sido conjurada apenas por uma bruxa. Augusto rezou e fez o sinal da cruz, indicando o fim de sua resolução e a prece pela luz divina sobre a lei. A bruxa seria executada pelo pecado imensurável que cometera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta morreu enforcada em praça pública na vila de Abacate, uma terra imatura, num dia ainda mais chuvoso que aquele. Não houve um cidadão que não chorasse pelo fim pobre moça. O cão-pintor fora examinado dias depois, e constou-se que tinha língua saudável e normal, e que salivava saliva, e não tinta. Marta vive apenas como uma frágil lembrança naquela vila, e por quanto tempo será lembrada como moça pura e inocente, não se sabe. Talvez, em tempos que ainda estão por vir, Marta possa ser lembrada como uma terrível e bruxa. Mas isso faz parte das coisas que não se sabe, e das que não se há de saber. A final, as fábulas vivem à mercê dos bardos e do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-199656995029363506?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/199656995029363506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=199656995029363506' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/199656995029363506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/199656995029363506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/08/marta-e-o-co.html' title='Marta e o Cão'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-555276513023627268.post-7471485376847764042</id><published>2007-08-20T20:06:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T20:18:57.115-07:00</updated><title type='text'>Dois contistas por nem dois conto...</title><content type='html'>A proposta do espaço é publicar contos meus e do meu amigo cineasta e escritor, Aron Matschulat. São muitas as semelhanças no estilo da narrativa e no uso de elementos; daí a unidade que compõe o blog como conjunto de contos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero oferecer, juntamente com meu colega contista, entretenimento, pensamento e divagação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa leitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/555276513023627268-7471485376847764042?l=doisconto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://doisconto.blogspot.com/feeds/7471485376847764042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=555276513023627268&amp;postID=7471485376847764042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/7471485376847764042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/555276513023627268/posts/default/7471485376847764042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://doisconto.blogspot.com/2007/08/dois-contistas-por-nem-dois-conto.html' title='Dois contistas por nem dois conto...'/><author><name>Victor Meira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18338655801132602083</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_OAGuoGmw-mU/ScVJHGmxnRI/AAAAAAAAATA/k8Jcl4SdTEw/S220/avatar1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
